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CABINE "CORNOFÔNICA FAZ SUCESSO EM BAR DE SP

Ela
tem opções que simulam barulho de trânsito, aviões, tiros e até gemidos.
Foi criada para 'salvar' clientes que não querem revelar que estão em
um bar.
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Tarde
da noite. Preocupada, a mulher liga para saber o paradeiro do marido.
Ele atende o telefone e, ao fundo, barulho de carros, buzina, avião,
tiroteio e até gemidos. Na verdade, o homem está em um bar, mas
corre para a cabine cornofônica, onde pode falar “tranqüilamente”
e acionar os ruídos para disfarçar e tentar enganar a esposa ou
namorada. |
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A
cabine, também usada pelas clientes, foi montada em um estabelecimento
nos Jardins, área nobre de São Paulo, e vem atraindo curiosos.
A
idéia foi do proprietário do Boteco Brasil, Leopoldo Buosanti
Neto, de 40 anos. “Eu via o pessoal saindo desesperado até a rua
para atender o celular porque não queria que a mulher descobrisse
que ele estava em um bar”, explicou.
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O
empresário jura que a invenção tem feito sucesso até mesmo entre
as mulheres. “A opção que mais usam é (barulho) do trânsito”.
Carolina Iskandarian/G1 Novidade tem atraído curiosos (Foto: Carolina
Iskandarian/G1)Para chamar a atenção, a cabine cornofônica é vermelha,
lembra as de telefone usadas na Inglaterra e fica logo na entrada
do bar, inaugurado em 1964.
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Para
o consultor Leonardo de Andrade, 23, não tem como não enganar
a companheira. “A mulher acredita. Se eu não avisasse minha namorada
de que estou aqui, ia dizer que estava em Cumbica, indo para Manaus.
Ela ia ficar maluca”, brincou ele.
Para
isso, Andrade apertaria o botão “aeroporto”, em que uma voz simula
as que anunciam vôos pelo alto-falante. “Eu nunca vi isso em lugar
nenhum. É a cara do brasileiro. É zoeira”, disse. Se escolhesse
a opção “chute o balde”, gemidos intensos de mulher poderiam ser
ouvidos. O dono do bar instalou a cabine há alguns meses e revelou
que o nome foi eleito após uma votação entre os clientes. De nome
sugestivo, a cabine cornofônica venceu denominações como “jeitinho
brasileiro” e “Brasília”. Segundo Buosanti, quando o pessoal enjoar
dos barulhos, é só trocar por outros.
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| Com
medo de aparecer e se comprometer de verdade, muitos clientes não
quiseram posar para a foto. Mas o representante comercial Marcelo
Velasco, de 57 anos, que disse nunca ter entrado na cabine cornofônica,
resolveu pregar uma peça na ex-mulher. Ligou do celular, dizendo
que estava no trânsito (ele aperta o botão e começam os ruídos)
e, em seguida, se viu no meio de um tiroteio. |
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Diante
do falso barulho de tiros, a mulher, do outro lado da linha, diz:
‘que horror!’. E Velasco ri, contando a verdade depois.
Apesar
da brincadeira, ele não quis ligar para a namorada, que não sabia
onde o companheiro estava. “Só para perturbar, eu ia apertar o
botão ‘chute o balde’ e ver o que ela acharia. Ia ficar brava”,
previu o cliente brincalhão.
A
jornalista Valéria Lima, de 30 anos, também gostou da idéia e
se arriscou em dizer que as mulheres mentem melhor do que os homens.
“Elas disfarçam melhor. Temos mais idéias”, afirmou. Valéria usou
a cabine para conseguir ouvir o que o amigo dizia ao telefone.
Disse que está sem namorado, mas admitiu que, às vezes, é preciso
inventar uma historinha. “De vez em quando, dou uma desculpa porque
não quero que a pessoa saiba onde estou. Há mentiras que são necessárias”,
contou, rindo.
Situação
diferente. Ao toque do celular, o analista de rede Márcio Nestorenko,
29, deixa o bar e conversa com a mulher na esquina, no meio da
rua. “Não sei mentir. Acho que o barulho da cabine não convence.
É abafado. Ela é boa para quem quer mentir”, informou o freqüentador
assíduo do Boteco Brasil. Questionado se tinha certeza de que
a mulher o esperava em casa, ele riu. “Ouvi o barulho da nossa
filha de 5 meses”. Sorte dele.
Matéria
e Fotos: Carolina
Iskandarian Do G1, em São Paulo
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